sexta-feira, 8 de julho de 2016

Quanto vale a sua vida?



Imagine que a partir deste momento, como que num súbito poder mediúnico, você passa a saber qual é o prazo de validade da sua vida, sendo possível saber exatamente o dia que você vai morrer, assim como de todas as pessoas que conhece. Você acredita que ter este conhecimento mudaria sua forma de viver?


Se fossemos contabilizar o tempo de vida como nosso tesouro mais importante, como gastaria este tempo? Já se imaginou gastando uma parte deste tempo fazendo reflexões sobre sua existência, sua vida, sua maneira de viver?


Este é um exercício que é aplicado no processo de coaching, as vezes temos tudo o que precisamos em mãos, porém não acreditamos que iremos precisar de tempo para realizar o que é necessário.


Sabemos que tudo na vida depende da execução de nossos pensamentos, até as coisas mais simples dependem de uma ação. Mas por que postergamos tanto, por que deixamos tudo para o dia seguinte?


Exatamente pela crença de que a vida é uma roda que não pára de girar, ela vai nos levar a momentos incríveis, um dia, e não sabemos quando, e que na velhice, ou bem tardar, quando nossos corpos já não suportarem a força da gravidade, nos despedimos sutilmente, como que num sono profundo.


E como tudo que é abundante, não tem o seu valor devido. Se temos muito tempo, desperdiçamos, se temos muita energia, gastamos a vontade, e se temos muitos dias ensolarados, ficamos em casa assistindo tv.


A escassez nos faz lembrar exatamente o contrário, que tudo vai secar, que a água vai acabar, que a vida tem pouco tempo e a angústia e ansiedade começam a fazer parte de nossa vida.


Fomos ensinados a valorizar a escassez e renegar a abundância. A valorizar o que é para poucos e desprezar o que temos demais.


O fato é que o dinheiro em comparação com a vida é escasso. Hoje temos muita vida, e pouco dinheiro, então, como na correlação imediata, amamos o que falta.


O valor é algo tão subjetivo que só iremos valorizar nossa felicidade no momento que perdermos. Valorizamos a juventude na velhice, valorizamos a saúde na doença. Valorizamos nossos pais quando nos faltam e nossos filhos quando nos deixam.


É por isso que momentos de tristeza são tão importantes, pois nos fazem lembrar da felicidade, da doença que nos ensina sabiamente a nos tornar saudáveis, da dor, para lembrarmos dos momentos em que temos que alongar nossos corpos, da carência de vitamina D para sairmos mais nos dias ensolarados, da família, quando estamos sozinhos e sozinhos, nos lembramos dos nossos amores.


Felizmente estou escrevendo este artigo, pois aqui, ao invés de ficar jogando candy crush, estou escrevendo, pois é grande meu tempo para escrever e curto para ganhar passagens de níveis, cada nível demora tanto, que no momento que passo, subitamente sinto a alegria da passagem, e sigo a diante buscando a opção de continuar incansavelmente a mesma alegria da passagem de nível, até perceber que meu tempo se esvaziou, e nada escrevi.


Tudo que parece curto acaba se tornando longo e o que parece longo se torna curto. Como num jogo do contrário, a vida é muito ou pouco longa?

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